Li algures um comentário que me tocou e me fez acordar a vontade adormecida de escrever.
Dizia algo como: "é triste ver a direcção para onde caminha o ser humano. Se nenhum homem é uma ilha, porque é que as pessoas se isolam cada vez mais?
Já ninguém altera a sua rotina, deixa de fazer o que lhe apetece para socorrer um amigo, visitá-lo se está doente.... já ninguém põe de lado o seu conforto e egoísmo para se desviar do caminho por pouco tempo que seja para o dedicar a alguém que precise de apoio...."
Fiquei chocada ao ler isto.
Senti o peso do mundo em cima e lamentei o facto de dar comigo a acenar em sinal de concordância com o que estava a ler!
É verdade!
É mais fácil telefonar, mandar um mail sem tirar o rabo da cadeira do que alterar toda uma rotina para zelar por um amigo, mimá-lo, fazê-lo sentir-se melhor, ajudá-lo a carregar a sua cruz ou enfrentar os seus medos e receios. As pessoas agora "despacham-se" assim umas às outras, de forma a que não dê trabalho.
Não ponho em causa as amizades, ponho em causa sim o caminho que todos estamos a levar. Este distanciamento e dependência dos hábitos facilitistas que se instalaram nas nossas rotinas.
O meu marido diz que eu não pareço portuguesa! Ele cresceu fora daqui e diz que quando cá chegou sentiu logo isso! Diz que os portugueses são assim, egoístas e pouco dedicados. Que por norma não se movem sem que a motivação seja um interesse próprio. Estranha porque foi criado numa sociedade completamente diferente. Diz que se lembra de toda a vida ver os pais sairem em socorro de amigos, contou-me inclusivé que se um amigo ficava de cama doente por algum tempo, que os outros amigos se revesavam para que essa pessoa tivesse sempre alguém com ela! Bonito, não?...
Mas cá não é assim.
Cresci a pensar que era mas quando li o que li, a ficha caiu.
É verdade!
Caminhamos para uma rotina egoísta em que ninguém se desvia por ninguém, ninguém prescinde de nada por ninguém, ninguém põe nem que por um dia, uma hora que seja, um amigo à frente de sí próprio e dos seus próprios problemas (que todos temos!) desejos ou afazeres.
Assustador não?

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