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segunda-feira, 5 de maio de 2008

Aprender a ser feliz

Tenho um amigo que me dizia com bastante frequência que o meu mal era ter medo de ser feliz. Dizia-me que não me conseguia entregar nas mãos de quem me tratava bem, não tanto por masoquismo mas talvez por estar habituada a que as pessoas mais tarde ou mais cedo me falhassem. Essa era a sua explicação para a minha insistência em escolher ou manter namoros ou amizades "complicadas" que me faziam miserávelmente infeliz e que ele não compreendia. De acordo com o meu amigo, eu fazia-o porque inconscientemente isso me fazia sentir segura. Tinha á partida a certeza de que me iam falhar e de que não poderia contar com eles para nada e isso era a minha segurança. Não ia ter surpresas nem desgostos inesperados. Já sabia com o que contava e era aquilo! Depois, restava-me desabafar, queixar-me quando tinha oportunidade para isso e voltar ao meu dia-a-dia insignificante. Custa-me acreditar na teoria do meu amigo embora ele possa ter alguma razão. Eu sempre quiz muito ser feliz. Sempre lutei por isso (da forma errada admito), mas sempre ambicionei viver o mais possível uma vida cheia de sorrisos genuínos e de suspiros cheios de satisfação.
Compreendo porque ele me dizia isto uma e outra vez... é que sempre que a felicidade me batia á porta eu mostrava algum agrado mas ao fim de dois ou três dias, atirava-lhe com a porta na cara e lá voltava eu para aquela vida que eu já conhecia e que me esvaziava noite após noite. E aí deitava a minha cabeça na almofada e chorava.
Eu vivi sempre muito presa ás pessoas, a tudo ao meu redor. Tenho problemas com despedidas, confesso. Sempre sonhei com o novo e inesperado mas sempre me mantive agarrada a tudo, incluíndo quem me deitava abaixo e me anulava.
Mas tudo mudou!
Foi preciso muito sofrimento para aprender a valorizar o que realmente tem valor nesta vida. Não que eu não desse valor ás coisas certas, sempre soube o que interessava e o que não valia nada. Mas entre o saber e o praticar ou entre o saber e o sentir...vai uma distância.
Aprendi. Foram anos e anos de dor, muita dela excusada mas foi assim que teve de ser. A lição foi estudada e vivida exaustivamente. Agora sei o caminho a percorrer. A vida afinal também pode ser boa e gratificante! Cabe-nos a nós não fecharmos a porta á felicidade quando ela se depara no nosso caminho! Há que saber reconhecê-la e agarrá-la de imediato. A vida é curta, demasiado curta para perdermos tempo a viver rodeados de quem não nos faz felizes. Este é o meu novo lema. É com ele que começa a minha nova vida e este novo blog.